domingo, 7 de dezembro de 2008



Não somos Sócrates,
Não abraçamos a Morte
Como um bem supremo.

A morte do outro,
A morte de nós mesmos…

Sempre esperada,
Sempre adiada…

Sempre próxima,
Sempre distante…

Uma figura do Destino,
Implacável…

Que todas as coisas conduz,
Ao seu próprio fim.

Um estado outro,
Que nem ousamos imaginar.

Apavora,
Atormenta…

Sempre está aí,
Numa outra face…

Numa presença,
Ausente,
Que não queremos presentificar.

Isabel Rosete

DIA INTERNACIONAL DA FILOSOFIA - PARA UMA HUMANIDADE MAIS HUMANA, por Isabel Rosete

AS MINHAS MÁXIMAS
“Acredita em todos os que buscam a verdade. Assim, também serás filósofo.”

“A Filosofia não é apenas uma disciplina. A Filosofia também não é, somente, uma mera área do Conhecimento, entre muitas outras. A Filosofia é Sabedoria, por excelência.”

"A filosofia é uma forma de conhecimento universal que serve para formar mentes críticas."

“A Filosofia é:
- Pensamento, Reflexão, Interpretação, Análise, Crítica;
-
Investigação, Argumentação, Dúvida, Discussão;
- Espanto, Inquietação, Acção; Atitude…”

“A Filosofia encontra a sua origem no desassossego, no alvoroço, na agitação, gerada pela
curiosidade humana, que move a necessidade vital de compreender, problematizando e questionando, os valores, as tradições ou os hábitos instituídos, vindos do senso comum, que nem sempre tem bom-senso, incapaz de ver longe, de atingir as essências escondidas pelos véus opacos das aparências."

“A Filosofia é um conjunto de
ideias, de juízos de valor, de teses, sobre o Homem, o Mundo, a Terra, a Natureza, o Universo, o Ser... A Filosofia é o Tudo."

"A FILOSOFIA NÃO TEM IDADE. É ETERNA. PORQUE É ETERNA, NUNCA SERÁ ULTRAPASSADA."

"A FILOSOFIA REMOVE O TEMPO E O ESPAÇO, ATÉ AO LIMIAR DA ETERNIDADE."
"A FILOSOFIA É UMA VISÃO RADICAL, CRÍTICA E PROBLEMATIZADORA DA REALIDADE."

"A FILOSOFIA É GRANDE MATRIARCA, O VENTRE DE ONDE NASCERAM TODAS AS CIÊNCIAS, TODAS AS FORMA DE SABER, DE CONHECER, DE PENSAR, DE ESTAR, DE SENTIR, DE AGIR… COMO? DE UM MODO AUTENTICAMENTE VERDADEIRO, DE UM MODO REALMENTE HUMANO."

"A FILOSOFIA É O MAIS NOBRE ALIMENTO DO ESPÍRITO."

"A ATITUDE FILOSÓFICA É A ÚNICA ATITUDE VERDADEIRAMENTE HUMANA."

"A FILOSOFIA É O CAMINHO PERFEITO PARA A CONQUISTA DA VERDADE DA REALIDADE, DA AUTENTICIDADE DO SER."
"SÓ PELA FILOSOFIA PODEREMOS ESCUTAR O MUNDO QUE SE ESCONDE PARA ALÉM DAS ILUSÓRIAS APARÊNCIAS."

"MESMO QUANDO NEGAMOS A FILOSOFIA, ESTAMOS A AFIRMAR A SUA EXISTÊNCIA INCONDICIONAL E, PORTANTO, INDISCUTÍVREL."

"QUEM RECUSA A FILOSFIA, PERMANECE CEGO E SURDO."

"A FILOSOFIA É A MAIS CRIATIVA ACTIVIDADE DA RAZÃO."

"A FILOSOFIA É, SEMPRE, PENSAMENTO E ACÇÃO; A FILOSOFIA É, SEMPRE, TEORIA E PRÁTICA. SÓ MUDAMOS O MUNDO QUANDO A TORNAMOS PRESENTE EM TODOS OS MOMENTOS DAS NOSSAS VIDAS."

"A FILOSOFIA É CONSOLO DA ALMA, A LIBERTAÇÃO DO ESPÍRITO, A ETERNA ABERTURA DA RAZÃO PARA TODAS AS VISÕES DO MUNDO."
"A FILOSOFIA ABRANGE O TUDO. NADA DEIXA DE FORA."

"O QUE FAZEM OS FILÓSOFOS?
OBSERVAM E PENSAM, COM UM OLHAR FELINO, O SEU/NOSSO MUNDO, COM O OBJECTIVO, CLARO E DISTINTO, DE ENCONTRAREM CAMINHOS POSSÍVEIS PARA A RESOLUÇÃO DOS PROBLEMAS DA HUMANIDADE. CADA SISTEMA FILOSÓFICO, CADA FILOSOFIA, É APENAS ISSO: UMA RESPOSTA TORNADA VISÍVEL PARA AS MENTES ERRANTES, BICÉFALAS, AINDA NÃO DESPERTAS."

"A UTILIDADE DA FILOSOFIA CONSISTE APENAS NISTO: ELEVAR O PENSAMENTO À SUA FORMA MAIS NOBRE, DESPERTAR AS MENTES ACOMODADAS E ENTORPECIDAS PARA A NECESSIDADE DE UMA INTERVENÇÃO ACTIVA, PERMANENTE E CONSCIENTE NA SOCIEDADE FRAUDULENTA ONDE, AINDA, SOBREVIVEMOS."

"PARA QUE SERVE A FILOSOFIA? ENTRE MUITAS OUTRAS COISAS, PARA A CONSOLIDIFICAÇÃO DE UMA HUMANIDADE MAIS DIGNA, MAIS JUSTA, MAIS FELIZ…"

"QUEM APAGA A FILOSOFIA DA SUA VIDA, ANIQUILA A ESSÊNCIA DA HUMANIDADE."
Tenho dito,
Bem-hajam,
Isabel Rosete

DIA INTERNACIONAL DA FILOSOFIA - O DESPERTAR DO SONO DOGMÁTICO, por Gonçalo Rosete

“Recordar o conhecimento velado faz parte da vida filosofia.”

“A Filosofia é uma supra-ciência porque, para além dela, não há nenhuma tão eclética."


“Viver a Vida sem Filosofia significa ter os olhos eternamente fechados, sem nunca os procurar abrir."
“A filosofia não é uma doutrina, é uma via.”

“A filosofia é uma forma de conhecimento universal, que serve para formar mentes críticas."

“ A filosofia, ao contrário das outras áreas do conhecimento, não se faz por opiniões, mas sim por ditirambos e teses.”

“ A filosofia está sempre presente na vida dos homens e manifesta-se por palavras, pensamentos e acções.”

domingo, 19 de outubro de 2008

Pré-conceitos, por Isabel Rosete


Pré-conceitos,
O odioso reino
Das mentes quadradas,
Nos vértices encalhadas,
Em jaulas encarceradas,
Cegas e surdas,
Sem horizontes visíveis.

O Mundo,
Corroem.
A Humanidade,
Sacrificam
E destroem.

Em nome da pseudo Verdade,
Supostamente re-velada,
Se instituem,
De forma única,
Indubitável,
Inquestionável,
Para todo o sempre estabelecida.

Em prol da crendice míope,
Se manifestam.
Do absolutamente certo,
Se impõem.
Da imobilidade,
Se erguem.

sábado, 20 de setembro de 2008








O «BLOG DO RAFA», por Fátima Pombo
Um blog para todos sobre um livro que não escolhe idades
http://oslivrosdorafa.blogspot.com/

Viaje pelo «Blog do Rafa» e não deixe de ler o livro que lhe deu origem, «Rafa e as Férias de Verão», também da autoria de Fátima Pombo, publicado pela editora
Trinta Por Uma Linha(http://editoratrintaporumalinha.blogspot.com/)

Veja-se ou reveja-se, nesse vigoroso estado da adolescência, onde todas as emoções brotam livremente e cheias de contradições. No seu estado de alerta, Rafa passa o mundo a pente fino, deixando-se levar pela sua imaginação efervescente, sem lhe escapar nada.
«Os jovens vão-se encontrar em certas situações e os graúdos lembrar-se-ão da sua juventude e talvez abram os olhos para algumas realidades. A não perder!», afirma Analu Vilas (Bioquímica, Leuven - Bélgica).



* «A RAZÃO DE SER DESTE BLOG»

«OLÁ!
Vamos fazer deste blog um sítio para conversarmos sobre a realidade de ser rapaz e rapariga nos tempos de hoje?
O Rafa é como tu: um rapaz inteligente, com imaginação, que gosta de música, toca bateria, que tem irmãs e uma cadela, que tem ideias próprias e, claro, tem também muitas dúvidas e contradições e chatices.
Neste blog também queremos a presença das raparigas. São fundamentais. O Rafa até tem uma amiga muito especial, a Pilar.
Vamos dizer o que pensamos de ‘Rafa e as Férias de Verão’ e começar a levantar o véu sobre o próximo livro que se chama ‘Rafa e a Liberdade’!
Há muitas aventuras para revelar e em que tu podes participar neste Blog do Rafa.
Anda! Precisamos de ti!».

Quem não deseja a LIBERDADE? Pois é, caro leitor, mais uma novidade a não perder: o segundo livro sobre o Rafa, «Rafa e liberdade», vem a caminho, com publicação prevista para 2009. Tal como o primeiro, aguarda por si. Esteja atendo. Na altura devida, será informado.
Para já apenas sabemos que: «depois de uns dias divertidos, cúmplices, ensolarados com Pilar, em Barcelona, o que reforçou a sua ligação e entendimento, Rafa descobre que os pais lhe cancelaram a prometida viagem a Roma onde celebraria os seus 16 anos. Então, furioso e indignado, toma ‘uma decisão íntima, radical, implacável’: partir de comboio à descoberta de um mundo novo e inesperado.» (Fátima Pombo, «Rafa e a Liberdade»).
E o resto? O resto, descubra por si. Basta acompanhar as aventuras do Rafa, neste segundo livro.



* RAFA (SAI) NO "PÚBLICO"


«No Jornal “Público”, Sábado, 2 de Agosto, a jornalista Rita Pimenta escreveu o seguinte "apontamento" sobre o livro Rafa e as férias de Verão, de Fátima Pombo, edição da Trinta Por Uma Linha:

“As férias de Verão de um rapaz de 15 anos são contadas na primeira pessoa de forma viva e envolvente. Rafa é introspectivo e observador e vai dando conta das análises que faz do mundo e das pessoas. Considera o pai ultrapassado e a mãe culpada. Quem não conviveu já com os comentários cruéis, mas muitas vezes certeiros, de adolescentes à procura de um caminho?
Entre borbulhas, uma espécie de bigode, alguma penugem no peito, duas irmãs mais novas, uma cadela e o divórcio dos pais, Rafa tenta durante as férias encontrar algum sossego mental. Ter a Pilar por perto parece ajudar, mas só às vezes. “É inacreditável! Está tudo bem, até está toda a gente a rir-se, mas por uma pequena coisa, de repente, as miúdas viram como o vento e ficam amuadas. (…) Nós, os rapazes – ou homens – não somos assim”.»

Ainda não leu este livro? De que é que está à espera? Então vá: leia e viaje, de novo, pelo «Blog do Rafa». E não se esqueça: deixe o seu comentário no CLUBE DE FÃS DO RAFA:clubedefasdorafa@gmail.com


«Parabéns à autora que, de uma forma perspicaz e muito divertida, nos transporta para a realidade da adolescência dos tempos modernos e, em simultâneo, nos remete para esses tempos tão especiais do nosso próprio passado.
Aguardo impaciente pelo "Rafa e a liberdade"!, Ana (39 anos, mãe de dois futuros “Rafas” e uma futura Pilar...)».
Para conhecer todas as opiniões dos fãs do «Rafa e as férias de verão», já ansiosos pela publicação do segundo livro, «Rafa e a Liberdade», volte ao Blog do Rafa.

Isabel Rosete
(Divulgação e adaptação)



sexta-feira, 19 de setembro de 2008


O Filósofo para Sócrates
Um curinga em Atenas – O Mundo de Sofia – Jostein Gaarder

(...)
Sócrates foi contemporâneo dos sofistas*. Como eles, Sócrates também se ocupava das pessoas e da vida das pessoas, e não dos problemas dos filósofos naturais. Alguns séculos mais tarde, um filósofo romano – Cícero – disse que Sócrates havia trazido a filosofia do céu para a terra, transformado cidades e casas em sua morada e levado as pessoas a refletir sobre a vida e os costumes, sobre o bem e o mal.
Mas Sócrates diferia dos sofistas num ponto muito importante. Ele não se considerava um sofista, isto é, uma pessoa instruída, sábia. Ao contrário dos sofistas, ele não cobrava absolutamente nada por seus ensinamentos. Não, Sócrates se autodenominava filósofo, no sentido mais verdadeiro da palavra. Um “filo-sofo” é, na verdade, um “amante da sabedoria”, alguém cujo objetivo é chegar à sabedoria.
(...) Os sofistas cobram por suas exposições mirabolantes, e a história registra que tais “sofistas” têm aparecido e desaparecido com bastante freqüência. Estou pensando agora naqueles professores e nos sabidões que ou estão satisfeitos com o pouco que sabem, ou então vivem se gabando de que sabem um monte de coisas das quais na verdade não fazem a menor idéia. Você certamente já encontrou “sofistas” como esses em sua vida. Um verdadeiro filósofo, Sofia, é alguém completamente diferente; é o extremo oposto.
Um filósofo sabe muito bem que, no fundo, ele sabe muito pouco. Justamente por isto ele vive tentando chegar ao verdadeiro conhecimento. Sócrates foi uma dessas raras pessoas. Ele sabia muito bem que nada sabia sobre a vida e o mundo. E agora é que vem o mais importante: o fato de saber tão pouco não o deixava em paz.
Um filósofo, portanto, é uma pessoa que reconhece que há muita coisa além do que ele pode entender e vive atormentado por isto. Desse ponto de vista, ele é mais inteligente do que todos os que vivem se vangloriando de seus pretensos conhecimentos. “Mais inteligente é aquele que sabe que não sabe”, lembra-se? O próprio Sócrates dizia que a única coisa que sabia era que não sabia de nada. Grave bem esta afirmação, pois esta confissão é uma coisa rara mesmo entre os filósofos. Além disso, é tão perigoso fazer uma declaração dessa assim publicamente que ela pode lhe custar a vida. Os que questionam são sempre os mais perigosos. Responder não é perigoso. Uma única pergunta pode ser mais explosiva do que mil respostas.
Você já ouviu a história das roupas novas do imperador? Na verdade, o imperador estava completamente nu, mas nenhum de seus súditos ousava lhe dizer isto. De repente, uma criança gritou que o imperador estava pelado. Era uma criança corajosa, Sofia. Da mesma forma, Sócrates ousou mostrar às pessoas que elas sabiam muito pouco. Já nos referimos às semelhanças entre as crianças e os filósofos, lembra-se?
Para ser mais preciso: a humanidade está diante de questões importantes, para as quais não é fácil encontrar uma resposta adequada. E então abrem-se duas possibilidades: podemos simplesmente enganar a nós mesmos e o resto do mundo como se soubéssemos de tudo o que vale a pena saber, ou então podemos simplesmente fechar os olhos para essas questões importantes e desistir para sempre de ir em frente. Isto divide a humanidade em duas partes. De um modo geral, as pessoas ou acham que estão cem por cento certas, ou então se mostram indiferentes. (Esses dois tipos de pessoas são aquelas que ficam se arrastando lá embaixo da pelagem do coelho!) É como separar as cartas de um baralho, Sofia. Fazemos um montinho com as cartas pretas e outro com as vermelhas. De vez em quando, porém, aparece um curinga: uma carta que não é nem de copas, nem de paus, nem de outros, nem de espadas. Em Atenas, Sócrates era como um curinga: nem cem por cento seguro, nem indiferente. Ele sabia apenas que nada sabia, e isto o atormentava. Então tornou-se filósofo, isto é, alguém que não desiste, que busca incansavelmente chegar ao conhecimento.
Dizem que um dia um cidadão de Atenas perguntou ao oráculo de Delfos quem seria o homem mais inteligente de Atenas. O oráculo respondeu: Sócrates. Quando Sócrates ficou sabendo disso, admirou-se, para dizer o mínimo. (Acho mesmo é que ele deu boas gargalhadas, Sofia). Imediatamente foi até a cidade e procurou um homem que ele e outras pessoas consideravam muito inteligente. Mas quando viu que este homem não era capaz de responder claramente às suas perguntas, Sócrates entendeu que o oráculo tinha razão.
(...)

GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia. (trad. João Azenha. Jr.) São Paulo: Cia. das Letras, 1995. pp.82-84.

* Sábios e retóricos gregos, contemporâneos de Sócrates, que vendiam seus ensinamentos filosóficos (prática condenada por muitos na época). (Larousse Cultural)


Isabel Rosete (investigação)

A Atitude Filosófica
Convite a Filosofia


«Imaginemos, agora, alguém que tomasse uma decisão muito estranha e começasse a fazer perguntas inesperadas. Em vez de “que horas são?” ou “que dia é hoje?”, perguntasse: O que é o tempo? Em vez de dizer “está sonhando” ou “ficou maluca”, quisesse saber: O que é o sonho? A loucura? A razão?.
Se essa pessoa fosse substituindo sucessivamente suas perguntas, suas afirmações por outras: “Onde há fumaça, há fogo”, ou “não saia na chuva para não ficar resfriado”, por: O que é causa? O que é efeito?, “seja objetivo”, ou “eles são muito subjetivos”, por: O que é a objetividade? O que é a subjetividade?; “Esta casa é mais bonita do que a outra”, por: O que é “mais”? O que é “menos”? O que é belo?
Em vez de gritar “mentiroso”, questionasse: O que é a verdade? O que é o falso? O que é o erro? O que é a mentira? Quando existe verdade e por quê? Quando existe ilusão e por quê?
Se, em vez de falar na subjetividade dos namorados, inquirisse: O que é o amor? O que é o desejo? O que são os sentimentos?
Se, em lugar de discorrer tranqüilamente sobre “maior” e “menor” ou “claro” e “escuro”, resolvesse investigar: O que é a quantidade? O que é a qualidade?
E se, em vez de afirmar que gosta de alguém porque possuiu as mesmas idéias, os mesmos gostos, as mesmas preferências e os mesmos valores, preferisse analisar: O que é o valor? O que é um valor moral? O que é um valor artístico? O que é a moral? O que é a vontade? O que é a liberdade?
Alguém que tomasse essa decisão, estaria tomando distância da vida cotidiana e de si mesmo, teria passado a indagar o que são as crenças e os sentimentos que alimentam, silenciosamente, nossa existência.
Ao tomar essa distância, estaria interrogando a si mesmo, desejando conhecer por que cremos no que cremos, por que sentimos o que sentimos e o que são nossas crenças e nossos sentimentos. Esse alguém estaria começando a adotar o que chamamos de atitude filosófica.
Assim, uma primeira resposta à pergunta “O que é Filosofia?” poderia ser: A decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana: jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido.
Perguntara, certa vez, a um filósofo: “Para que Filosofia?”. E ele respondeu: “Para não darmos nossa aceitação imediata às coisas, sem maiores considerações”.»

CHAUÍ, Marilena. A atitude filosófica. In: Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1997.


Isabel Rosete (investigação)